Tudo indica que as mudanças para a implementação de um sistema de TV Digital mais interativo começam a ser implantadas este ano. Diferentemente dos impasses ocorridos no ano passado, as novas propostas parecem buscar não só a inclusão digital bem como a disseminação de programas e-gov.
O Governo pretende investir forte não só no setor de produção de televisores com suporte a tecnologias mais modernas e interativas, como no desenvolvimento e recepção desse tipo de conteúdo para a nova plataforma. Prova dessa intenção, foi o documento encaminhado pelo Ministério das Comunicações no final do ano passado, informando que os novos aparelhos a serem produzidos na Zona Franca de Manaus já deverão vir equipados com o novo sistema, o Ginga.
Segundo dados do documento, a ferramenta permitirá a interatividade na TV digital brasileira, graças à publicação do Processo Produtivo Básico (PPB) colocado em consulta pública em outubro. O texto proposto pelo governo estabelecia ainda que, já este ano, cerca de 75% dos televisores produzidos na Zona Franca de Manaus com suporte a conectividade IP deveriam implementar o Ginga e não poderiam restringir o acesso das aplicações interativas ao canal de comunicação. Em 2013, a obrigatoriedade valeria assim para todos os televisores e conversores com conectividade IP.
A ideia é que o cronograma comece a valer em julho de 2012 e se estenda até 2014, quando se espera que 100% dos equipamentos de recepção de TV digital deverão ser interativos no padrão Ginga.
Outro detalhe a ser analisado é a de persistir a obrigatoriedade de todo equipamento com conectividade IP (TVs conectadas, smart TVs, conversores de TV a cabo) não restrinjam o acesso a aplicações interativas transmitidas pelo SBTVD. Principalmente aquelas objeto de editais para o financiamento da produção de programas interativos para TV Digital ligados aos serviços públicos, que também deverão ser analisados em reunião no dia 10 de janeiro.
É possível que esses editais contemplem aplicações interativas não HD, no formato de 420 linhas, para não comprometer a recepção e o uso por parte de donos de televisores de menos de 32 polegadas, sem conversor digital interativo embutido. Essas aplicações teriam que evoluir para o formato HD ao longo do tempo, acompanhando o cronograma do PPB.
O que já existe e as previsões para os próximos anos
Vale salientar que o sinal de TV digital no Brasil é transmitido por 49 geradoras licenciadas pelo Ministério das Comunicações, sediadas em 32 municípios, onde vivem 61,1 milhões de pessoas. A cobertura, com pelo menos um canal digital, equivale a mais de 30% da população do país.
Até o final de 2011, todas as 311 geradoras de TV espalhadas pelo País estavam consignadas e podiam transmitir em sinal digital. Destas, 223 já entraram com pedido de consignação no MiniCom. Além das 49 já licenciadas, outras 174 têm seus processos em tramitação. Após esta etapa obrigatória, as emissoras podem realizar transmissões digitais e analógicas, ao mesmo tempo, até que o sinal analógico seja definitivamente desligado, em 2016.
Este ano de 2012, o foco do MiniCom será nas retransmissoras (RTVs). Num universo de 5.722 mil RTVs, somente 58 entraram com processo de consignação no ministério. Mas até o final do ano, a estimativa do MiniCom é de que grande parte das consignações de retransmissão esteja concluída no que se refere à propagação do sinal de TV digital.
Fonte: Diário de Pernambuco
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